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:: Monumentos Históricos de Morro de São Paulo ::

O arquipélago de Tinharé tem uma longa e importante história. Seu passado foi marcado por episódios de batalhas e pela função desempenhada na defesa da Baía de Todos os Santos. Estes fatos colaboraram e fizeram com que surgissem em sua trajetória, mais exatamente entre os séculos 17 e 18, monumentos históricos que são considerados marcos culturais. O arquipélago de Tinharé, guarda preciosidades arquitetônicas que exalam de suas ruínas importantes episódios da história brasileira.

Cinco destes patrimônios estão situados em Morro de São Paulo e foram erguidos próximos a área central da ilha, sendo estes: a Fortaleza de Tapirandu, a Igreja Nossa Senhora da Luz, a Fonte Grande, o Farol e o sobrado do Casarão.

Suas construções fazem parte da história da região sul da Bahia e também do país, no período colonial. Mas a herança cultural da colonização portuguesa e o trabalho dos jesuítas na região deixaram ainda um rico acervo distribuído entre as ilhas de Boipeba e a sede do arquipélago, Cairú. Estes lugares abrigam várias construções religiosas com importância histórica e arquitetônica. No pequeno povoado de Galeão encontramos a Igreja de São Francisco Xavier, construída em 1626; em Boipeba, as Igrejas do Dívino Espírito Santo, datada de 1616 e a de São Sebastião. Cairú, abriga o Convento de Santo Antônio, construído por iniciativa dos frades franciscanos e a Igreja Matriz de Nossa Sra. do Rosário, de 1654. Você saberá como surgiram e tudo mais sobre este vasto bem cultural de Tinharé, no link Outros Povoados Próximos a Morro de São Paulo. Além de atrações turísticas e pontos de visitação obrigatória, os monumentos são os testemunhos da história e a prova do passado glorioso da ilha. Acompanhe nos próximos links, a história de cada monumento e outras informações.

Tabela de Conteúdos

1 - Fortaleza de Tapirandu
1.1 - A História da Fortaleza
1.2 - A antiga formação

2 - Fonte Grande
2.1 - A descoberta
2.2 - Os banhos na Fonte Grande

3 - O Farol
3.1 - História do Farol
3.2 - O guardião

4 - O Casarão
4.1 - A História do Casarão
4.2 - As lendas

5 - Igreja Nossa Senhora da Luz
5.1 - A História
5.2 - O roubo
5.3 - O Cemitério
5.4 - A arte de resgatar a fé
5.5 - A irmandade Nossa Senhora da Luz
5.6 - As Festas Religiosas

Fortaleza de Tapirandu

Um dos cartões postais de Morro de São Paulo, a Fortaleza de Tapirandu ou Forte, como é hoje popularmente chamado pelos nativos, moradores e turistas, é parada obrigatória para quem vem a ilha. A história desta fortaleza perde-se na antiguidade e remete nossa imaginação direto ao século 17, período em que a Fortaleza desempenhou importante papel na história da defesa da Baía de Todos os Santos.

Entre as ruínas, podemos viajar no tempo e sentir a presença dos espíritos dos bravos soldados que fizeram parte de sua guarnição. A localização estratégica de Morro de São Paulo foi essencial para sua construção e durante todo o tempo em que esteve em funcionamento, o Forte foi marcado por conflitos e batalhas que o fizeram entrar para a história. Logo na chegada, após a rampa de acesso do cais, nos deparamos com o Portaló, que faz parte da Fortaleza e era a sua porta de entrada. Atualmente, o antigo arco de pedra é o caminho obrigatório para quem chega ou sai via maritima da ilha. Mitos e lendas povoam o Forte. Os antigos nativos, lembrando os fatos narrados por seus antepassados, contam que os holandeses estiveram na Baía de Tinharé e tentaram saquear a igrejinha, que nesta época ficava situada no alto do Farol, a Santa e padroeira de Morro de São Paulo, Nossa Sra. da Luz, criou uma visão etílica de uma esquadra portuguesa super fortificada dentro da Fortaleza. Esta imagem fez com que os holandeses se afastassem imediatamente da costa.
Outro fato marca estas narrativas. Dona Mariinha, uma antiga nativa já falecida, em um de seus depoimentos ao professor e historiador, Augusto César M. Moutinho, disse que o nome dado a uma das partes da Fortaleza, onde fica o Forte de Santo Antônio, deve-se ao fato de na época da Segunda Guerra Mundial, os alemães terem tentado invadir Morro de São Paulo.

Esta ameaça fez Santo Antônio colocar diversas velas acessas no curso da Fortaleza, impedindo o suposto ataque. Hoje em dia, sobraram as ruínas. E apesar de ser tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, (processo nº 101-T, Inscrição nº 46, Livro Histórico, fls. 9. Proc. Nº 7 155-T e Inscrição nº. 91, Livro das Belas Artes, fls. 17. Data: 24.V. 1938), enfrenta dois inimigos implacáveis: o tempo e o mar. A ação erosiva do mar destruiu grande parte da Fortaleza.

Vários restauradores e pessoas ligadas aos órgãos do Patrimônio Histórico estiveram presentes no local, mas não foi feito nenhum tipo de trabalho de restauro. Embora esteja com sua estrutura abalada, isso não tirou a beleza do lugar.

Cenário de antigas batalhas, quem comanda o espetáculo agora no Forte é a natureza. Ao entardecer, temos uma atração à parte: no pôr pode-se ver golfinhos rodeados de gaivotas. Encenando saltos, os golfinhos propiciam um belíssimo espetáculo. É comum o lugar ficar repleto de turistas e moradores para contemplarem esta paisagem. Para quem gosta de privacidade, quando a maré está baixa pode banhar-se na pequena praia que surge ao final das ruínas, conhecida como Prainha do Forte.

O lugar tem águas claras e calmas, ideal para relaxar. Como você pôde notar seja para conhecer este importante monumento histórico ou simplesmente para relaxar, todos os caminhos levam ao forte.

O acesso a Fortaleza de Tapirandu é fácil, basta descer a rampa que leva para o cais e seguir a trilha. Veja a seguir como surgiu a Fortaleza e como era sua primeira formação.

História da Fortaleza ::

Denominado antigamente como Fortaleza ou Presídio do Morro de São Paulo, o Forte é descrito da seguinte maneira no Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988:

”por ser constituído por uma cortina poligonal com 678 m de extensão, disposta no rumo SW-NE, ao longo do canal de Tinharé. Na extremidade SW fica o Portaló, a entrada ao recinto fortificado. À sua frente existe um edifício “abobadado”, que servia de corpo de guarda, armazém de armamentos, tulha de farinha e cômodo dos oficiais. Cerca de 157 metros adiante, tendo ao meio uma guarita, encontra-se o Forte Velho, uma flecha com quatro troneiras e uma guarita. Seguindo a cortina, numa extensão de 263 metros, onde se encontram dois grupos de troneiras, chega-se à Fortaleza de S. Paulo.”

Morro de São Paulo era frequentado no século 17 por aventureiros e contrabandistas. Devido sua localização e à ausência de autoridades coloniais, foi por muito tempo transformado em uma éspecie de “zona franca para todo tipo de comércio ilegal”, conforme descrito na pesquisa realizada em 1998 pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul Baiano (IDES), órgão ligado ao Ministério da Cultura.

No ataque dos holandeses à Bahia, estes mantiveram-se em Tinharé para conseguir mantimentos e na ocasião atacaram as Vilas de Cairu e Camamu. Foi em Morro de São Paulo que estes navios atracaram, sob o comando de Johan Van Dorth, antes do ataque à cidade de Salvador, em 1624. Com o objetivo de evitar novos ataques contra a capital e pela situação de Morro de São Paulo em relação a Baía de Todos os Santos, o governador na época Diogo Luiz de Oliveira (1627-1635) ordenou a construção de uma fortaleza destinada à defender o recôncavo.

“Diogo Luis de Oliveira do Conselho de Guerra de Sua Magestade seu Governador, e Capitão Geral. Faço saber aos que esta provisão vierem, que por haver aviso, que o inimigo Hollandez pretende vir situar-se no Morro de São Paulo, e ser de grande importância a conservação desta capitania, e as mais deste Estado a defesa, e fortificação daquele Posto para que o inimigo o não ocupe” (trecho transcrido da pesquisa realizada em 1998 pelo IDES).

Neste período surge a figura do Tenente de Mestre de Campo, Miguel Pereira da Costa, enviado à Bahia pela Coroa Portuguesa. Também engenheiro, ele foi o responsável pelo desenho da Fortaleza. As construções da Fortaleza de Tapirandu, iniciaram em 1630 e foram feitas à base de pedra e óleo de baleia.

Os objetivos eram basicamente dois: proteger o arquipélago de Tinharé pois era por onde passava a rota da produção dos centros de abastecimento de Salvador e evitar que embarcações inimigas entrassem na denominada barra falsa da Baía de Todos os Santos. Conforme o Inventário do IPAC-BA (1988) a Fortaleza de Morro de São Paulo foi o mais extenso sistema defensivo do Estado e, provavelmente do País.

Em 1652 já estava em funcionamento e chega ao seu apogeu a alguns anos adiante com a construção de novos fortes.

No ano de 1728 foi ampliado pelo Conde de Sabugosa. Na ocasião, foi construído o novo Forte da Ponta e a cortina ao longo do canal. O vice-rei da época, André de Melo, deu início a construção de um pano de muralha sobre o Morro de São Paulo que iria se integrar ao conjunto das fortificações. Neste mesmo período, há registros da construção do Portaló (arco que fica localizado após a rampa, na entrada de quem chega a ilha), que também faz parte da Fortaleza. A vitória lusitana sobre a esquadra do Almirante francês Villegaignon foi um dos episódios mais marcantes da história do Forte e da história colonial do Brasil.

Em 1748 a Fortaleza contava com cinco fortes e baterias, onde 183 homens entre oficiais e soldados, guardavam 51 peças de artilharia e uma muralha de aproximadamente mil metros de extensão. Em junho de 1774 um temporal destrói dois trechos da muralha do Forte da Ponta, que só foram restaurados em 1797 quando o Sargento-Mor e comandante do presídio, Domingos Álvares Branco Muniz Barreto, recupera os danos causados pelo temporal e constrói nova casa de pólvora. As obras foram assim realizadas, de acordo com texto publicado no Inventário do IPAC-BA (1988): Afirma o sargento-mor Domingos A.B. Muniz Barreto: “Mandei também levantar de novo uma casa para guardar a pólvora, que tanto necessitava. Na reedificação porém do Forte da Barra, o mais principal, e que defende a entrada do canal..... e emendando-se o erro crasso de sua primeira construção, eu lhe fiz levantar interinamente uma cortina de faxina, montando todas as peças dos calibres vinte e quatro, dezoito e dezesseis que serviram antigamente nesta bateria.....”

Dez anos antes, em 1787, através de um ofício o governador na época, D. Rodrigo José de Menezes aponta as obras necessárias para se evitar a total ruína da Fortaleza. Em 1810 um relatório recomenda que o Forte passe por uma recuperação. Houve uma tentativa de levante absolutista entre as forças que compunham a guarnição, em 1822.

A revolta foi superada com o reforço de 120 soldados vindos de Cairu e Valença. As tropas sediadas na Fortaleza aderiram ao movimento para a independência do Brasil e nesta ocasião as tropas e canhões foram retirados no local a fim de reforçar a artilharia de Itaparica. No ano de 1823, Lord Cockrane estabelece no local a base da primeira esquadra nacional. D. Pedro II visita em 1859 as fortificações e entre os anos de 1881 a 1883 a Fortaleza recebe novos consertos. No ano de 1915, ao relento, 52 canhões antigos ainda persisitiam no local e guardavam a história do Forte. Hoje encontramos apenas um canhão no local. Segundo um antigo morador, Reginaldo Ramos Batista, com 83 anos em 2008, na época em que veio morar em Morro de São Paulo no ano de 1945, ainda haviam canhões. Porém, ele conta que neste período tinha um barco que vinha da ilha de Itaparica e levava os restos de canhões para vender como ferro velho em Salvador. Não havia ninguém que proíbisse a saída destes tesouros históricos, pois não existia nem delegacia nestes tempos, nem tão pouco uma fiscalização neste sentido.

“Eles carregavam o barco com os restos dos canhões e levavam, era tudo abandonado”, relata seu Reginaldo. Outro ponto importante e que merece destaque é em relação a formação da guarnição da Fortaleza. Quando foi formada, nos tempos do Governador Diogo Luis de Oliveira, a guarnição se revezava a cada mês. No entanto, os problemas com o transporte, fizeram com que em 1º de agosto de 1664 fosse criada uma guarnição fixa formada por 450 homens. Os soldados moravam na rua principal de Morro de São Paulo e tudo indica que a urbanização do povoado se originou das casas destes soldados.

A Antiga Formação ::
"A Fortificação de Morro de São Paulo era composta da seguinte maneira conforme consta na pesquisa realizada em 1998 pelo IDES e transcrita de um relatório elaborado pelo Coronel Engenheiro Beaurepaire Rohan, datado de 1863." (In:Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. As Fortalezas da Bahia. Salvador: Bernardo da Cunha e Cia. Revista do IGHB, março de 1896, Ano III, Vol. 2,p.51-63).

“O desenvolvimento total dos planos de fogo desta fortificação é de treze mil e vinte palmos (3020) distribuídos pelos fortes, São Luiz, Zimbeiro, São Paulo, Conceição e baterias que unem os dois últimos".

Forte de São Luiz

Situado na ponta S.E. da ilha, a 50 palmos (11m) do nível do preamar, é de forma trapezional à barbeta, com o desenvolvimento de 212 palmos (46,64 m) está todo reparado, precisando somente da construção de uma plataforma gera, ladrilho da casa do terra-pleno, uma grade para o corpo da guarda e fechaduras.

Zimbeiro

Ao N. De São Luiz, de 80 à 100 braças, assentado no cume d’um morro, que se avança para o mar, a L. D ailha e 270 palmos (59,40m) acima do nível do preamar.

É um pentagono, cujas baterias à barbeta apresentam o desenvolvimento de 200 palmos. Precisa de reparações em suas muralhas, que se acham com pequenas fendas, e em outras partes desuas obras:construções de plataformas e d’uma casa para a guarda. Também não está montada (a artilharia)

Forte de São Paulo

Um forte de forma irregular, composto de seis lados, trez á barbeta e trez a canhoneiras, formando quatro salientes e um reentrante, com o desenvolvimento de 582 palmos (128,04m), assentado na ponta N. Da ilha, e à 15 palmos (3,30m) acima do preamar. A parte á canhoneira, a única montada, contém oito peças de calibre 30.

Este forte sofreu reparações e mesmo aumento de construções novas, e precisa o seguinte: plataforma ageral, cimento nas muralhas velhas, canos de esgoto, reboco, cantaria para cornijas, ladrilho do terrapleno, cabides e portas.

Cortina entre São Paulo e Conceição

Compõem-se de seis muralhas em direção da costa O. Da ilha, à borda d’água, formando quatro reentrantes e dois salientes, com duas canhoneiras e tudo mais à barbeta na extensão total de 1211 palmos (266,42m). Parte desta muralha, 480 palmos (105,60m) está desabada e precisa ser levantada, construindo-se também uma plataforma geral.

Bateria da Conceição (Forte Velho)

É uma flexa de 174 (38,28m) palmos de desenvolvimento,com quatro canhoneiras nas faces, montadas outras tantas peças de calibre 18, das quase duas (as da face N.) defendem o lado esquerdo do Forte de S. Paulo, e as outras jogão seus fogos na direção N.O. Está reparada e pronta.

Bateria a esquerda da flexa

São as que unem esta à rampa do portaló, e constam de quatro muralhas com oito canhoneiras, (quatro na saliente do ventro, e igual número ao lado esquerdo da entrada) com o desenvolvimento de 642 palmos. Aqui também dois lanços da muralha, na extensão de 179 palmos (39,38m) estão desabados, precisam ser construídos, fazendo-se a competente plataforma. Taes são as obras que se compôe a Fortaleza do Morro de São Paulo, as quaes, além das construções e reparações indicadas, precisa da construção de contra forte em todo o desenvolvimento das muralhas e outros pequenos na rampa e casa da pólvora. Concluindo, devo dizer que não ham esta fortificação acomodações precisas para a guarnição, compativeis com o seu desenvolvimento”

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Fonte Grande

A Fonte Grande é outra importante construção que guarda parte da história de Morro de São Paulo. Construída em 1746, durante o período Brasil Colonial, a Fonte Grande foi considerada o maior sistema de abastecimento de água e citada como um exemplo de tecnologia na época. Rodeada de lendas e fatos pitorescos, o local serviu de palco para episódios que até hoje despertam a curiosidade dos turistas que a visitam. Uma antiga lenda, diz que a Fonte foi descoberta graças a um milagre atribuido a Nossa Senhora da Luz, durante a construção da igreja e sua principal função era abastecer a guarda e o presídio da Fortaleza de Tapirandu.

A Fonte Grande tem também outra curiosa denominação.

É conhecida também como Fonte do Imperador e este nome é atribuído devido a um suposto banho que o imperador D. Pedro II tomou no lugar. E, detalhe: ele não estava sozinho e sim acompanhado de Domitília de Castro, a famosa Marquesa de Santos.

A veracidade de tal acontecimento é provada através das anotações que D. Pedro II fez durante sua visita a Morro de São Paulo, que foi devidamente registrada e guardada. O banho de D. Pedro II e da Marquesa de Santos na Fonte Grande contribuiu para a fama do local.

As ruas localizadas próximas ao redor da Fonte cresceram. Aos poucos foram sendo construídas casas e pousadas para atender as novas necessidades de Morro de São Paulo. Hoje, próxima a Fonte, concentra-se um comércio diversificado, onde além de restaurantes, padaria e lojas, são oferecidas várias opções de hospedagem. Apesar do progresso, ainda pode-se ouvir o barulho da água que antigamente era mais abundante e límpida e fazia a alegria da comunidade do povoado de Morro de São Paulo. Você já imaginou estar visitando o local e deparar com alguém literalmente “tomando banho”. Antigamente isto era normal e habitual pois através de suas águas a população banhava-se nos tradicionais banhos coletivos que até hoje são lembrados com saudades por aqueles que viveram esta época.

A descoberta ::

Segundo antigos arquivos, a Fonte foi descoberta por Simão Barreto, numa provável graça da Santa Nossa Senhora da Luz, na ocasião em que este estava construindo a Igreja. Somente em 1746, que a Fonte Grande foi construída tendo sido uma estação de abastecimento de água, responsável pelo abastecimento de boa parte da Bahia Colonial com água potável. Até hoje, entre as poucas coisas que foram preservadas uma placa guarda sua importância histórica: “ O Ilmo e Exmº senhor André de Melo de Castro Conde das Galveas Vice-rei e Captª Genª de Mar e Terra Estado do Brasil mandou fazer esta fonte 1746”.

André de Melo de Castro era vice-rei do Brasil nesta época e construiu a Fonte também com o objetivo desta servir ao presídio, que ficava localizado junto a Fortaleza de Tapirandu. De acordo com o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988: [o imperador D. Pedro II registrou durante sua visita a Morro de São Paulo em 1859 a importância desta fonte pública de 3 bicas para o abastecimento do Brasil Colônia. No ano de 1943 a Fonte Grande foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional] (processo nº321-T, inscrição nº 216, Livro Histórico, fls. 36 e Inscrição nº 283-A, Livro das Belas Artes, fls 60. Data 08-VIII.194).

O tombamento histórico não impediu o gesto inconsequente registrado no ano de 1946. Neste ano, a Fonte sofreu danificações atribuídas a ação de algumas pessoas que se identificaram como sendo ligadas a Interventoria Federal e realizaram escavações. O objetivo, segundo contam alguns nativos, era achar um antigo tesouro.

A Secretaria do Patrimonio Histórico, Artístico e Nacional (SPHAN) vistoriou o monumento e elaborou um orçamento para que fossem recuperados os danos. As obras foram custeadas pelo poder público municipal. Entre os anos de 1954 e 1970 a Fonte Grande também passou por processos de restauração.

O sistema compreende uma cisterna circular recoberta por uma cúpula em meia-laranja; galeria de adução; fonte que é constituída por um chafariz e bacia de captação das águas servidas e sistema de drenagem; uma escadaria com piso em mármore cinza por onde se desce até o local e por onde a água sai através de uma calha de ferro.

A água é captada através de um reservatório natural e levada até outro reservatório circular, onde é conduzida por uma galeria até a fonte.

A Fonte Grande não é apenas mais um dos cartões postais e monumentos históricos de Morro de São Paulo. Se no passado foi considerada como o maior sistema de abastecimento de água, serviu também de palco para episódios inusitados. Não foi somente Dom Pedro II e a Marquesa de Santos que tiveram o privilégio de banharem-se no local. Era junto à Fonte Grande que aconteciam os tradicionais banhos coletivos da comunidade de Morro de São Paulo.

Devido ao problema de abastecimento e não haver água canalizada, a população via-se obrigada a buscar outras alternativas para sua higiene pessoal e após o banho de mar era comum os moradores formarem fila na bica para o banho. Segundo nos contam antigos moradores, os banhos eram divididos: primeiro as mulheres e depois os homens. Cada um trazia sua saboneteira e toalha e a diversão estava garantida.

“Tomava-se banho de mar e depois vinham tirar o sal aqui”, recorda Seu Manuel Paulo Santos,com 58 anos em 2008 e nativo. Ele era um dos que frequentava a fonte nesta época e lembra destes tempos com muita saudade. “Havia respeito e todos usufruíam naturalmente da fonte”, diz.

Além dos banhos, outro ponto deixou boas lembranças deste período e marcou história na área próxima à Fonte Grande. Existia uma quitanda, cuja proprietária era uma senhora chamada Maria, que vivia abarrotada de nativos que ficavam no local curtindo o final do dia e apreciando uma “boa pinga”, como diz Seu Manuel. Enquanto as mulheres tomavam banho, os homens esperavam no bar de Dona Maria e aproveitavam a ocasião para tomar uma “cachacinha”.

A Rua da Fonte Grande, como é hoje chamada, também teve seus tempos de glória. Por volta da década de 80 existiam alguns restaurantes no local e eram bem movimentados. De acordo com o empresário Mosaniel Fonseca de Jesus, com 39 anos em 2008, conhecido como Rasta e morador desde 1985 em Morro de São Paulo, quando não havia movimento na praia, era certo que o point era na na Fonte Grande.

Nestes tempos tinha um bar chamado “O Filme”, de um argentino que atraía muitas pessoas, segundo nos conta Rasta. Atualmente como decorrência do progresso que a ilha teve e a crescente ocupação urbana nas proximidades da Fonte, ainda existem alguns restaurantes, mas a maioria se concentra na vila e praias.

O Farol

O Farol de Morro de São Paulo é a construção mais visível do povoado e desponta como cartão postal da ilha, sendo a primeira visão para quem chega a Morro de São Paulo pelo mar.

A luz refletida juntamente com a torre medem em torno de 89 metros de altitude e desde o século 19 é o melhor ponto de referência para os navegadores que tem como ponto de chegada o Arquipélago de Tinharé com suas embarcações, auxiliando à navegação e garantindo assim, a segurança.

Hoje, ainda usado para orientar os navegadores à noite, atrai turistas e de onde se tem uma das mais belas vistas da ilha: as praias com suas águas cristalinas e areia fina.

A paisagem é de tirar o fôlego e vale a pena conferir. Atualmente é mantido pela Marinha Brasileira, cuja manutenção é de responsabilidade da Capitania dos Portos do Estado da Bahia.

A seqüência de piscas é de dois lampejos brancos a cada 15 segundos. Sendo que acende automaticamente no final da tarde, por volta das 18h ou ainda quando é necessário em caso de tempo ruim. Sendo totalmente automatizado, dispensa a vigilância do faroleiro, que antigamente era o responsável pelo local.

O acesso ao Farol é feito através de uma trilha, no meio da mata nativa e situada em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz. A caminhada tem duração aproximada de 10 minutos e junto ao local fica situada também a Tiroleza.

História do Farol ::

O Farol do Morro teve suas obras iniciadas em 1848, sendo totalmente concluídas em 1855. O objetivo era facilitar o acesso ao porto de Valença e foi construído sob a orientação do engenheiro Carson, da Fábrica de Tecidos de Valença, tendo sido considerado na época o mais moderno de todo litoral brasileiro. O maquinário foi importado da França, da empresa “Henry Lepaute “ e os custos foram financiados pelo comerciante português e um dos proprietários da Fábrica de Tecidos, Antônio Francisco de Lacerda.

A importância estratégica do local, fez com que o mirante existente próximo ao Farol tenha feito parte do conjunto defensivo da ilha na época das invasões holandesas e juntamente com a Fortaleza desempenhou importante papel na defesa de Tinharé e da Baía de Todos os Santos. Impotância esta, registrada também nas anotações do diário de D. Pedro II, que durante sua visita a Morro de São Paulo, em 1859, cita o Farol. Na época da Segunda Guerra Mundial, uma estação de rádio-telegrafia do Ministério da Marinha funcionava nas proximidades do Farol, cujas ruínas ainda podem serem vistas.

O Guardião ::

Hoje o Farol de Morro de São Paulo acende automaticamente, porém, antigamente isto não acontecia. Havia um zelador e pessoas responsáveis pela manutenção do local. Uma destas pessoas foi o senhor Valencio Inato Manuel do Nascimento, chamado de Dandão pelos moradores de Morro de São Paulo. Com 85 anos em 2008, Dandão foi um destes fiéis guardiões do Farol durante 20 anos.

Segundo seus relatos, ele trabalhou como vigilante do Farol ligando e desligando a luz. Apesar da idade e da saúde um pouco debilitada, Seu Dandão recorda que tinha 15 anos de idade quando começou a cuidar do Farol e como um bom guardião zelava pelo local, impedindo que entrassem sem sua permissão.

"Quando algum turista queria conhecer eu abria e deixava subir até o mirante”, lembra. Mas logo depois Seu Dandão fechava para que não ficasse aberto e exposto a qualquer tipo de dano. Antigamente era permitido subir no mirante, hoje não. Nestes tempos em que podia entrar no Farol, havia aqueles que aproveitavam para namorar como fazia o casal de moradores Romenil dos Anjos, com 67 anos em 2008 e Deusa Silva Luz, 62. Prova disso é uma foto onde o casal apaixonado possa tendo como cenário a vista da quase deserta Segunda Praia e sua antiga Ilha da Saudade.

A paisagem vista das proximidades do Farol, hoje, serve como registro dos milhares de turistas que visitam Morro de São Paulo e levam seus testemunhos da beleza do lugar.

Não é exagero dizer que uma boa parte da história de Morro de São Paulo se reconstitui através da história deste antigo sobrado erguido em 1608, junto a capela de Nossa Senhora da Luz. O Casarão guarda ecos do passado da ilha tendo sido a primeira construção de porte no povoado e já hospedado ilustres personagens da Coroa Portuguesa como o próprio imperador D. Pedro II e a Marquesa de Santos, durante sua visita à ilha, no ano de 1859.

Este antigo sobrado, que já foi depósito de farinha e escola, hoje foi transformado em empreendimento turístico e abriga uma pousada com total infra-estrutura numa área verde de quatro mil metros e cercada por árvores frutíferas. A casa rosa situa-se no Centro da cidade, à direita de quem chega a vila, num espaço privilegiado: no topo da Praça Aureliano Lima, de onde pode-se avistar toda a rua principal da vila.

A arquitetura do século passado retrata a colonização da região pelos portugueses. Construído inicialmente para sediar a casa de farinha, o casarão passou por várias reformas e por diversos proprietários. Mas todos estes, conseguiram manter grande parte de sua originalidade que está retratada no prédio colonial com um único pavimento.

A casa compreendia originalmente seis peças divididas entre quartos, sala, cozinha e banheiro. A atual proprietária, uma respeitada e simpática baiana de Feira de Santana chamada Helena Maria Moreira Lima, diz que a casa é registrada como patrimônio histórico no Cartório de Imóveis, porém, não é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Apesar das mudanças e restaurações feitas, o sobrado guarda ainda seu estilo original preservando sempre o valor histórico e cultural e está registrado também no IPAC-BA (Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), como “Monumento de Valor Ambiental”.

Esta antiga casa carrega consigo um passado que se mistura entre lendas e realidade. Estes detalhes envolvendo o casarão, enriquecem sua trajetória. Há quem diga que o casarão é assombrado.

Verdade ou não, o sobrado que destaca-se devido sua imponência, faz parte do acervo de monumentos históricos de Morro de São Paulo e atrai olhares dos milhares de turistas que por aqui já passaram.

Confira a seguir um pouco mais sobre sua história e estas lendas que povoam o casarão.

A História do Casarão ::

A primeira edificação de acordo com os registros, era de que o casarão serviu como depósito de farinha. Existem ainda documentos que apontam para o casarão como sendo uma das primeiras casas residenciais em Morro de São Paulo. Sua construção foi entre os anos de 1608 e 1616 pela Família Saraiva. Segundo a história no início do século 17, o capitão Lucas da Fonseca Saraiva, casado com Catarina de Góes construiu um sobrado e ao lado deste, uma capela sob proteção de Nossa Senhora da Luz. Catarina era a filha de Domingos da Fonseca Saraiva, o fundador da sede do arquipélago, Cairu. Na ocasião de sua visita a Morro de São Paulo, em 1859, D. Pedro II e a Marquesa de Santos, segundo registros, estiveram uma noite no Casarão. A veracidade da afirmação está nos registros de sua viagem no diário no Museu do Ipiranga, no Rio de Janeiro. Além do imperador, o casarão hospedou o alto escalão da corte. A primeira escola pública da ilha, segundo nos conta a senhora Elze Moutinho Wense, Dona Zezé, nativa com 77 anos em 2008, funcionou em uma das salas do Casarão. Isto no ano de 1910. “A sala da frente era a escola, onde morava minha avó, Aquilina Maria e também foi a primeira professora primária de Morro de São PAulo”, ressalta Dona Zezé.

De acordo com um levantamento do Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988, foram proprietários do sobrado a senhora Eufrosina Porto Rosas, que em 1930 adquiriu o imóvel de Joaquim Soares Senna, casado com Eleonora de Souza Senna. Dois anos mais tarde a casa é vendida à Merícia Ratis de Carvalho. Esta permanceu com o sobrado até ser repassado ao senhor Manoel José, no ano de 1947. Em 1960 a casa passa a ser do senhor Nildo Cayres da Costa até este vender a Jaci Coutinho, de Valença. Na década de 70, o sobrado sofreu uma grande reforma. Na ocasião foram substituídas as divisórias internas de estuques por paredes de tijolo. Conservaram-se os assoalhos originais em três quartos.

O vestíbulo e a escada, ambos pisos de madeira foram apenas substituídos por novos, porém, com o mesmo material.

No início de 1989 o casarão é vendido novamente e passa para as mãos de Helena Maria Moreira Lima, atual proprietária. Ela nos relata que foi um presente de seu pai, que visou deixar como um patrimônio à filha. Nestes tempos a casa principal estava muito “judiada” e ela fez algumas reformas como a restauração do telhado que foi todo trocado. No início trabalhou como albergue. Depois foi ampliando, construiu banheiros nos seis quartos e no lugar da cozinha fez mais uma acomodação. O antigo sobrado transformou-se em pousada e durante os 20 anos de existência passou por várias mudanças na área total de quatro mil metros em que fica localizado. Nas salas debaixo do sobrado que já serviram para escola e agência de turismo, foram transformadas, desde 1995, num restaurante, um dos mais requintados e sofisticados de Morro de São Paulo e também de propriedade de Helena. O restaurante já funcionou como galeria de arte para exibição de artistas locais e de Salvador e também abriu espaço para shows folclóricos que homenageavam os orixás.

Atualmente Helena conta com a ajudo de seu irmão para tomar conta dos empreendimentos para poder também fazer o que ela mais gosta: cuidar das fazendas da família. “ Morro de São Paulo ainda pode ser considerado um paraíso, pois ainda há muito verde na ilha. Apenas ficou com ares de metrópole, pois abriga pessoas de vários lugares”, ressalta a empresária.

No ano de 2009, Helena diz não saber a data exata pois no registro não consta, o casarão completa 400 anos de existência e está prevista uma programação em grande estilo para comemorar a data.

As Lendas ::

Este antigo casarão colonial, construído em 1608 além de representar parte importante da história de Morro de São Paulo, faz parte das lendas que rondam o povoado. Alguns antigos moradores comentam que nas noites podia-se ouvir barulhos duvidosos. A antiga residência da família Saraiva, é palco de mitos que povoam o imaginário de nativos e moradores. Conforme o senhor José Oliveira Santana, conhecido como Seu Zeca e com 52 anos em 2008, também o mais antigo empregado da pousada, estas lendas são verdadeiras. Segundo este nativo, a casa é habitada por algumas assombrações e ele mesmo diz ter visto “coisas” dentro do casarão. Seu Zeca acredita ter enxergado vultos subindo a escada da frente e na área da pousada.Como ele mesmo diz: ”Eu quero é prova que não tem espírito ali”, retruca ele. Verdade ou não, isto não assusta e nem desencoraja os turistas que frequentam o local.

A pousada tem uma ótima procura e muitas vezes as pessoas à visitam querendo saber se é verdade que o sobrado tem fantasmas. A proprietária Helena, também não perde o sono por causa destas lendas e diz que talvez tenha fundamento que o casarão possua uma energia diferente. Mas mesmo assim, nunca deparou com nenhuma assombração. “Algumas pessoas se assombram, mas acho que é mito, fantasia”, explica.

Lendas à parte, o casarão merece uma visita seja para hospedar-se ou para conhecer este outro patrimônio histórico de Morro de São Paulo. E com ou sem o arrastar de correntes, não deixa de ser uma agradável opção de hospedagem e referência cultural.

O resgate da história, por meio da fé católica em Morro de São Paulo está representado desde o século 17 através da Igreja Nossa Senhora da Luz. Desde os tempos em que a pequena capela de taipa foi erguida próxima ao alto do Farol, o templo em homenagem a padroeira do povoado, carrega uma trajetória rica em prata, ouro, histórias e lendas. O espírito religioso de Morro de São Paulo durante estes quatro séculos de existência, foi responsável em manter viva a importância histórica da igreja.

Situada na vila, centro da ilha, a Igreja Nossa Senhora da Luz é considerada um patrimônio histórico, porém, não é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Em toda sua existência enfrentou períodos difíceis, como roubos de objetos sagrados e o principal: o desgate do tempo. Desde o ano de 2004 passa por um processo de restauração que envolveu desde as instalações internas até as imagens sacras existentes no local. E é a fé da comunidade que mantém acessa a chama do templo.

Todos os trabalhos realizados em prol da paróquia são oriundos de doações da população e dos turistas que se encantam com a beleza da igreja.

A escadaria da igreja é parada obrigatória para descanso para quem enfrenta a ladeira de acesso do cais e em seus degraus moradores, nativos e turistas assistem o movimento da rua que é o ponto de chegada para quem vem à ilha via marítima. A festa em homenagem a Santa é celebrada dia 08 de setembro e por mais de uma semana a população envolve-se nas celebrações e comemorações para a padroeira. Além das missas e festas religiosas, a igreja já foi responsável por grande parte da sobrevivência deste antigo vilarejo. Em sua história está registrada o papel fundamental da Irmandade Nossa Senhora da Luz e algumas lendas como a existência de um cemitério localizado nos fundos da igreja. São muitas as histórias e segredos que envolvem a Igreja Nossa Senhora da Luz e você poderá conferir todas a seguir.

A História ::

Segundo antigos registros a primeira capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz foi construída no alto do Farol, em 1620 pela família portuguesa Saraiva. Era uma pequena capela de taipa. O templo atual foi construído em 3 etapas: a primeira parte no ano de 1628 por Francisco Saraiva. Na ocasião foi feita a Capela Mor a fim de substituir a antiga capela, do Farol, pois esta havia desmoronado. Simão Barreto foi o responsável pelas obras e o zelador do templo após a conclusão do mesmo.

Em 1626 foi registrado um suposto milagre da Santa. O almirante holandês Pieter Pieterson Hiyr comandou um ataque a igreja com o objetivo de saquear o templo, conhecido na época por ser rico em ouro e prata. No entanto, o ataque fracassou devido a uma mobilização da população, que atribuiu esta resistência a um milagre de N. Sra. da Luz. No ano de 1845 foram realizadas obras do templo atual e já no final do século 18 e início do século 19 começaram as obras da parte grande, a central. Nesta época, foi construída também a “Torre Sinera”, que levou 10 anos até sua conclusão. Entre os anos de 1968 e 1985 o templo passou por algumas pequenas reformas que atingiram o telhado, forros, altares e a pintura da fachada.

A igreja possui nave, capela-mor, sacristia e torre em lados opostos. O altar é uma cópia da igreja de São Francisco, em Salvador. No interior da igreja encontra-se talha neoclássica, típica do período de sua construção e os forros da nave e da capela-mor são ornados com pinturas religiosas. Entre as imagens, destacam-se as de N. S. da Luz, São Paulo, N. S. da Penha e a de Santo Antônio.

Dentro da igreja, no piso, pode-se ver várias lápides, cujos restos mortais são de antigos nativos e moradores da ilha. A mais antiga destas pertence ao senhor Manoel Francisco Gomes e esposa, datadas de 1869.

Em frente à igreja, no espaço gramado fica o cruzeiro. A devoção a Nossa Sra. da Luz nasceu em Portugal. Segundo a senhora Elze Moutinho Wense, uma antiga devota, em Portugal numa pedreira aparecia uma luz e as pessoas ficavam curiosas até que resolveram cavar e encontraram a imagem de Maria e a denominaram de Nossa Senhora da Luz.

O Roubo ::

Durante oito anos a igreja N. Sra. da Luz foi vítima de um pecado imperdoável: o roubo de grande parte do acervo sagrado. De 1996 até 2004 a maior parte do tesouro, que incluía alfaias, cálices de ouros, correntes e inclusive uma coroa comprada em Portugal no século 17, foi saqueada da igreja.

O templo foi roubado por um nativo que era o zelador do local. Segundo nos relata o Frei responsável pela Paróquia, Elias Feitosa, desapareceram diversos objetos em ouro e prata, datados de 1630 e doados pelos soldados sediados no Forte na época, além de imagens sacras.

Quando Frei Elias assumiu a paróquia e foi até o local para fazer um levantamento do que havia na igreja, descobriu o desfalque e também o suposto culpado. “A própria pessoa que guardava a igreja havia vendido muita coisa”, ressalta o Frei. O zelador confessou que vendeu 12 imagens, as mais preciosas e antigas. O processo está até hoje junto a Polícia Federal e não houve uma resposta nem retorno sobre as peças roubadas.

Hoje a Igreja não corre mais o risco de passar novamente por contratempos como este. O templo conta a ajuda de uma fiel escudeira e guardiã. A senhora Nice Mouitnho, que diz ter aproximadamente 70 anos, pois não lembra exatamente a idade. Dona Nice pode ter a memória fraca para recordar sua idade, mas é muito esperta e sempre alerta para preservar a igreja. Há quatro anos diariamente ela está de plantão, sempre sentadinha numa cadeira em frente a porta da frente da igreja. Das 6 horas da manhã até às 21 ou 22 horas, Dona Nice permanece ali, fiel como uma verdadeira guardiã. E o mais impressionante é que ela faz isso voluntariamente, sem receber nenhuma quantia em dinheiro.

Ela não desgruda o pé do local até que não tenha ninguém por volta da igreja. Dona Nice conta um episódio em que a imagem de São Gonçalo foi quase roubada. Ela estava sentada quando duas mulheres e um homem entraram na igreja para visitar. A guardiã ficou observando e ouviu os turistas elogiarem a imagem e dizerem: “Está bom de levar”. Pronto ! Ela levantou-se e a viram. Na mesma hora os visitantes levaram um susto e sairam, certamente envergonhados, da igreja.

O Cemitério ::

Entre os segredos e mistérios que envolvem a Igreja Nossa Senhora da Luz está a existência de um antigo cemitério. Localizado nos fundos da igreja e numa área particular, mais precisamente ao lado esquerdo de quem entra no templo. Há aproximadamente dois metros debaixo da terra, segundo o Frei Elias Feitosa, no local existem restos mortais de antigos nativos e moradores de Morro de São Paulo. Há documentos que revelam que o cemitério foi desativado desde 1895 pela Irmandade Nossa Senhora da Luz.
Frei Elias destaca sua importância, por ser um cemitério antigo é considerado um sítio arqueológico e sagrado.

O Frei ressalta que esta parte do terreno é sagrada por se tratar do “Primitivo Cemitério de Morro de São Paulo”, que pode ser confirmado através da existência das duas portas laterais da igreja. Já uma área que fica nos fundos do templo, denominada de “Outeiro Nossa Senhora da Luz”, que segundo o Frei, é também ambiente sagrado para toda a comunidade local. Neste local, antigamente moravam em uma pequena casinha de taipa duas senhoras negras descendentes de escravos. Frei Elias diz isto após ter consultado os nativos mais idosos da comunidade local.

A arte de resgatar a fé ::

As imagens e os altares da igreja confeccionados em madeira entalhada e estilo neoclássico e barroco estavam completamente destruídos pela ação dos cupins em 2004. As ruínas produzidas pelo tempo e o total descaso dos resposáveis pela paróquia e da comunidade local, fizeram com que o templo fosse aos poucos se deteriorando. Tocados por este cenário de abandono, um grupo de fiéis resolveu tomar uma providência para contornar a situação e então iniciou o mutirão de restauro da Igreja Nossa Sra. da Luz, tendo no comando o Frei Elias Feitosa e a senhora Elze Moutinho Wense, conhecida como Dona Zezé. No ano de 2004, após a festa da padroeira, começou a restauração e todo este tempo, tem sido uma ação voluntária sem nenhum fim lucrativo que até hoje sobrevive apenas de doações da comunidade e de turistas que visitam a igreja. A Igreja Nossa Sra. da Luz é um patrimônio histórico, porém, não é tombado. O trabalho de restauração desde o início, conforme o Frei, sempre foi acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão responsável pelo patrimônio histórico brasileiro.

A primeira medida tomada foi sensibilizar a comunidade da importância da iniciativa. Em agosto de 2004 foram distribuídas cartas à população pedindo doações. A maioria atendeu positivamente e foram arrecadados mais de 5 mil reais. Somente o material necessário para concluir a fachada do templo estava orçado em 6 mil. Mas os fiéis guardiões não desanimaram e deram início a obra com recursos provenientes de doações de empresários locais, dos turistas e dinheiro do próprio bolso. Isto ocorreu em meados de outubro de 2004 e a primeira parte das obras terminaram em 31 de dezembro deste mesmo ano. Dona Zezé definiu como sendo “o milagre da partilha”.

Após a conclusão desta primeira parte era a hora do restauro das laterais e da sacristia, onde a maioria das telhas estavam quebradas. Foi feita uma nova sacristia. O terceiro passo foi a construção do espaço “Domina Lucis”, que em latim significa “Senhora da Luz”. O espaço fica situado ao lado da igreja, onde funcionava uma lojinha que vendia artigos religiosos e souvenirs de Morro de São Paulo, a secretaria da Paróquia.

Em relação as imagens, a de Nossa Senhora da Luz, que estava totalmente destruída foi a primeira a ser restaurada. Posteriormente, a imagem de Santo Benetido e depois a imagem primitiva de Nossa Sra. da Luz. Foram também restaurados os dois nichos, o arco cruzeiro e alguns castiçais. Responsável pela restauração, Frei Elias, contou também com a ajuda de alguns colaboradores, tendo sido um processo minucioso baseado em muita habilidade e paciência. A primeira medida foi imunizar as imagens a fim de matar os cupins. A partir daí teve início o trabalho de restauro propriamente dito, com material vindo da Itália. O mais importante, segundo o Frei, é resgatar a originalidade da peça, para tanto, ele colheu informações junto aos órgãos especializados e também conta com uma grande bagagem cultural: possui especialização em Teologia, realizada em Florença, na Itália. Frei Elias chama a atenção para a importância deste patrimônio para Morro de São Paulo, pois toda a história da ilha começou na modesta capela erguida em 1628, construída mesmo antes da Fortaleza. Atualmente as obras de restauração continuam, porém aos poucos, pois não há recursos suficientes para a continuação do trabalho.

A irmandade Nossa Senhora da Luz ::

Outro fato curioso e marcante dentro da história da Igreja Nossa Senhora da Luz foi a presença da Irmandade que também recebeu a mesma denominação do templo. De acordo com Frei Elias Feitosa, as irmandades
surgiram nas Igrejas Católicas do Brasil como ponto de referência para aquelas pessoas que queriam se aproximar de Deus e ao mesmo tempo organizar a vida religiosa e social daqueles que faziam parte das comunidades locais. Em Morro de São Paulo existiram duas grandes irmandades: a Nossa Sra da Luz, que teve sua origem provavelmente no século 17 entre os anos de 1620 e 1628 e posteriormente, a Irmandade do Santíssimo Sacramento. Desta, conforme diz o Frei, existem poucas informações.

A Irmandade que realmente marcou presença dentro da comunidade do povoado de Morro de São Paulo foi a de Nossa Sra. da Luz, tendo inclusive como prova de sua existência um acervo que está muito bem guardado dentro da igreja e que inclui entre outros documentos o estatuto datado de 1845, os originais dos livros chamados na época como “de acordo” ou “acordões” e os livros de entradas e saídas de pagamentos feitos pela entidade. Segundo o Frei, algo peculiar na Irmandade era o fato desta organizar toda a vida religiosa e diga-se também política dos moradores a partir do século 18 até o período da Segunda Guerra Mundial. Nesta época, após o término da guerra, houve uma coisa muito desagradável. Conforme nos relata Frei Elias, uma pessoa que fazia parte da Irmandade se apossou totalmente da entidade, tomando suas próprias decisões e isto resultou na dissolvição da mesma. “Isto rachou com a Irmandade”, enfatiza o Frei.

Era a Irmandade Nossa Senhora da Luz que cuidava da vida dos moradores pobres, ajudando com alimentação e dinheiro. Frei Elias destaca isto como impressionante durante a vida da entidade. Sempre havia um caixão disponível guardado dentro da igreja para facilitar o funeral daqueles que participavam da irmandade ou para a população carente do vilarejo que não tinha condições de arcar com as despesas. A Irmandade possuía muitos bens, entre estes, uma fazenda na Quarta Praia chamada “Sueiro” e algumas casas na vila.

O dinheiro dos aluguéis destas casas era revertido à comunidade. Durante todo seu tempo de existência a entidade sempre teve altos e baixos, inclusive algumas “partes negras” como define o Frei, no que diz respeito aos bens.

No início a Irmandade Nossa Senhora da Luz era formada somente por homens, mas depois de um certo tempo as mulheres também passaram a fazer parte de sua formação. Em toda sua existência sempre procurou conservar e preservar o patrimônio cultural da Igreja Nossa Senhora da Luz, tendo sido responsável pela construção, desde a elaboração do projeto até a conclusão da torre sineira do templo, cujas obras duraram 10 anos. Toda a documentação destes feitos está devidamente guardada até hoje, junto aos antigos documentos. Desde seu surgimento foi também a Irmandade a mantenedora pela Novena em homenagem a Nossa Sra. da Luz, realizada anualmente dia 08 de Setembro. Desde 1620, quando a família Saraiva Goés construiu a capela original, que nesta data comemora-se a festa em homenagem a Santa e a Irmandade sempre esteve presente e atuante nas comemorações. Apenas durante os tempos em que estava sendo realizada a construção da torre sineira, que não pôde ser promovida uma grande festa, pois os recursos arrecadados estavam todos sendo destinados a conclusão da torre. O estatuto da Irmandade diz que quando no calendário o dia 08 de Setembro não ser num domingo, pode-se alterar a festa para o próximo domingo. Mas, de qualquer forma dia 08 sempre haverá a missa solene em homenagem a padroeira.

Hoje, a Irmandade Nossa Sra. da Luz ainda existe, não nos moldes antigos mas está presente em algumas pessoas que fazem parte da comunidade de Morro de São Paulo. Dona Zezé, Ana Damasceno, Tâmara, Nicinha, Branca, Preta, Antônia, Deusa, Romenil, Frei Elias e outras pessoas são exemplos vivos da presença da Irmandade Nossa Sra. da Luz. São estas pessoas que a mantém viva, embora de maneira precária, mas de acordo com as suas possibilidades. E como os antigos componentes desta secular entidade, estes nativos e moradores têm como principal meta a luta em conservar e preservar os bens culturais da Igreja ou o que sobrou desta.

As Festas Religiosas e Típicas ::

Os eventos religiosos promovidos pela Paróquia de Nossa Senhora da Luz não se limitava apenas às missas, religiosamente realizadas nos sábados ou domingos, mas haviam também outras festas religiosas. No calendário católico do povoado de Morro de São Paulo, vamos encontrar as Festas de Santos Católicos como São Benedito, São Gonçalo, Santo Antônio e outros eventos religiosos que fazem e fizeram parte da herança cultural do vilarejo. Essas festas, geralmente montadas na Igreja, contavam, além da parte religiosa (missas, novenas, procissões), com quermesses, brincadeias, danças e cantos folclóricos.
Os festejos congregavam participantes de Morro de São Paulo e de povoados vizinhos. Resgatavam a história de Morro de São Paulo no que diz respeito a fé e ao encontro do povo. Porém, os festejos desapareceram com a voragem do tempo e hoje limitam-se apenas a realização da Festa em Homenagem a padroeira Nossa Sra. da Luz e ao Cortejo de São Benedito.

Não são mais as mesmas festas religiosas de antigamente. Os moradores e nativos participam, mas as festas populares são promovidas de maneira descaracterizadas. Antigamente, conforme narra Frei Elias, estas festas uniam e congregavam toda a comunidade. “Era algo maravilhoso, mas hoje as festas religiosas foram sucumbidas pelo turismo”, ressalta. Segundo o historiador Augusto César M. Moutinho, estas festas populares que ainda acontecem, agora são realizadas de maneira descolada da realidade do povo. Ele cita como exemplo o Cortejo de São Benedito. “Os moradores não tem mais tempo de se relacionarem com o coletivo, estão ocupados trabalhando. As teias de solidariedade se dissolveram e enxergamos isto com extremo saudossimo e com tristeza também”, explica.
Conheça a seguir quais são as festas populares e religiosas do povoado de Morro de São Paulo e caso tenha a sorte de estar na ilha durante a realização de alguma destas, não deixe de participar !

Festa de São Gonzalo

Chamado também de Dondorô esta festa era promovida no mês de janeiro. Mulheres e homens saíam pelas ruas, dançando e cantando. No largo da praça, cantavam o hino ao santo e pulava-se ao redor da imagem. Era uma prévia do carnaval e segundo os moradores do povoado não se realiza há mais de 10 anos.

Marcha de Presépio

Promovida em Dezembro. Era basicamente a queima do presépio, realizada no dia 06 de janeiro. As famílias da comunidade queimavam seus presépios neste dia.

Lavagem do Morro

Acontece no domingo que antecede a Festa da Padroeira, dia 08 de Setembro. A comunidade e turistas lavam as escadarias da Igreja e a celebração conta com participação de baianas, que são uma atração a parte.

Cortejo São Benedito

Realizado no fim do mês de dezembro, geralmente dia 26. Um grande cortejo animado, onde um morador pinta-se de preto representando a figura do Santo. Os participantes fazem uma grande procissão pela praia e ruas do povoado, batucando, cantando e arrecadando doações para a igreja.

CULTURA
A cultura de Morro de São Paulo é tão eclética quanto sua população. Se antigamente a ilha tinha como referência as raízes africanas, portuguesas e índigenas atualmente retrata uma mistura de raças e nacionalidades. A influência dos visitantes vindos de todas as partes do mundo e daqueles que se fixaram na ilha formam hoje as riquezas culturais de Morro de São Paulo. Antigamente Morro de São Paulo era palco de várias manifestações que representavam as crenças e as tradições da comunidade. Algumas festas ainda sobreviveram ao progresso, a chegada do turismo e ainda são realizadas. Hoje a cultura é retratada através destas festas populares como as relacionadas à igreja católica e ao candomblé, nas festas juninas e ainda em outras manifestações artísticas como a capoeira e o artesanato.
Festa da Padroeira Nossa Senhora da Luz
Das festas ligadas a igreja católica a da padroeira Nossa Senhora da Luz realizada dia 8 de setembro é a principal festa do povoado. Aliás, neste dia é feriado em Morro de São Paulo. Na ocasião, os devotos de todas as localidades vizinhas participam e durante a novena acontecem missa solene e romarias. A igreja e a Praça Aureliano Lima são enfeitadas e um palco é montado no meio da praça para apresentações artísticas e a diversão dos moradores, nativos e turistas é geral. Geralmente são de três a quatro dias de festa com shows de bandas locais, de Salvador e som mecânico.
Lavagem da escadaria da igreja
Acontece no domingo que antecede a Festa da Padroeira, dia 08 de Setembro. Comunidade e turistas lavam a escadaria da Igreja Nossa Senhora da Luz e a celebração conta com participação de mulheres vestidas de baianas, que são uma atração à parte.
Cortejo de São Benedito
Realizado no fim do mês de dezembro, geralmente dia 26. Um grande cortejo animado, onde um morador pinta-se de preto representando a figura do Santo. Frei Elias diz que esta festa foi criada pelos antigos moradores descendentes dos portugueses e segundo dizem é uma homenagem a São Benedito que impediu o naufrágio de um navio negreiro. Os moradores fazem uma grande procissão pela praia e ruas do povoado batucando, cantando e arrecadando doações para a igreja.
Festas Juninas
As Festas Juninas são as festas mais tradicionais em Morro de São Paulo, assim como em toda a região Nordeste. No Brasil as comemorações foram trazidas pelos portugueses no período da colonização. As festas iníciam com o Dia de Santo Antônio em 13 de junho e terminam 29 dia de São Pedro. Em 23 e 24 de junho, é comemorado São João e consideradas as datas mais importantes. Em Morro de São Paulo, a comunidade dá grande importância às datas com a realização de uma grande festa com fogueira, quadrilha, música e muita comida típica, não esquecendo dos tradicionais licores. A animação é o que não falta na Praça com som mecânico e bandas ao vivo e no repertório claro, muito forró. Vem das festas juninas as deliciosas receitas de pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca e bolo de milho.
Festa dos orixás
Como herança dos escravos africanos ficaram as comemorações relacionadas aos orixás do candomblé. A mais popular acontece dia 02 de Fevereiro, em homenagem a rainha das águas, Iemanjá. Assim como em Salvador, onde as praias enchem-se de fiéis, em Morro de São Paulo a rua da Prainha torna-se o palco das homenagens à protetora dos pescadores. Além dos moradores, vários turistas participam da festa, lançando flores e perfumes ao mar pelas graças recebidas. Acontece uma grande procissão marítima com a presença de baianas estilizadas e entrega de oferendas.
No dia 27 de setembro são homenageados os irmãos Cosme e Damião, protetores das crianças. Nativos e moradores preparam um grande caruru e distribuem para a comunidade. O caruru é um prato típico baiano que foi trazido para a Bahia pelos escravos africanos. O ingrediente principal do caruru é o quiabo mas o prato é preparado também com camarão seco, azeite de dendê, castanha de caju torrada e moída.
Desfile da Primavera
Todo ano na chegada da primavera os alunos das escolas de Morro de São Paulo realizam um desfile comemorativo. Com muita imaginação o desfile é uma homenagem à estação das flores, mas também são lembrados as preocupações com o meio ambiente.
Festas ou baladas
Além das festas tradicionais que fazem parte dos costumes de Morro de São Paulo, a ilha possui outros eventos que não deixam de ser culturais. As festas ou “baladas” como alguns chamam não deixam de representar através da música e da dança os costumes de quem as frequenta, seja moradores ou turistas. Todas as tendências estão presentes nas festas de Morro de São Paulo: do popular e baianissímo “axé’ até a moderna música eletrônica. Também para agradar tantos estilos, haja diversidade cultural!
Capoeira
Capoeira é uma luta disfarçada de dança que mistura cultura popular e música. Herança africana, a Capoeira era somente praticada pelos dos escravos e quando surgiu era marginalizada e proíbida. Hoje representa a história da resistência dos negros em todo o Brasil e é amplamente difundida e praticada. É comum ver na Bahia, assim como em Morro de São Paulo, os capoeiristas caminhando pelas ruas com berimbaus. O som do instrumento soa como um convite para a luta e por onde passam vão encantando os turistas. A capoeira não tem limite de idade para praticar e tem atraído crianças e adultos. Sua arte ensina a viver harmoniosamente em grupo, representa e promove a arte brasileira, com mais ênfase a cultura da Bahia.
A Capoeira envolve outras manifestações que representam a resistência dos escravos africanos como a puxada de rede, o samba de roda e o maculelê. A puxada de rede, trata-se de um ritual de pescaria em forma de dança; o maculelê teve origem na Bahia em Santo Amaro da Purificação e é uma dança e jogo que utiliza bastões, chamados de grimas onde os particpantes desferem golpes ritmados.
O Samba de Roda era usado para disfarçar quando a polícia surgia, á que a capoeira era proíbida. Trata-se de uma variante do samba tradicional e consiste basicamente numa roda onde os participantes cantam e dançam. É formado por homens e mulheres, sendo que as representantes femininas tem no figurino saias de chita, uma blusa com os ombros a mostra e uma flor no cabelo. Os homes tocam atabaque e pandeiro acompanhados pelos cantos e palmas. Uma pessoa fica no meio da roda e quando esta cansa dá uma “umbigada” (batida cintura com cintura) em outro componente da roda e troca de lugar.
Grupo Kilombolas
A capoeira, a mais tradicional arte baiana está presente em Morro de São Paulo
através do Grupo Kilombolas, uma extensão do grupo que existe também em Salvador. Em Morro de São Paulo o responsável pelo grupo é o contramestre Carlito, que teve pela primeira vez aula de capoeira há 29 anos. Graças a Capoeira viajou pelo mundo e conheceu lugares como a África, França, Itália, Espanha e Portugal. O que aprendeu trouxe para Morro de São Paulo para repassar a seus alunos. Além de aulas de capoeira o grupo desenvolve trabalhos sociais voltados às crianças. Os alunos mais experientes dão aulas para as crianças carentes das comunidades do Zimbo, Mangaba e da Vila Nossa Senhora da Luz. É comum o grupo de apresentar em eventos representando o destino. Atualmente o grupo conta com 150 participantes em Morro de São Paulo, entre nativos e moradores. As aulas acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras de manhã, tarde ou noite. E para manter todo o trabalho da capoeira, o Grupo Kilombolas conta apenas com seu próprio esforço pois não tem apoio da iniciativa privada nem do governo.
Teatro do Morrro
Referência cultural em Morro de São Paulo o Teatro do Morro existe há 15 anos e todas as quartas-feiras recebe turistas e moradores nas “Jam Sessions”. No palco do Teatro há lugar para todas as manifestações artísticas como declamação de poesias, apresentações de vídeos, shows musicais e as festas que duram até a madrugada e são embaladas com som de DJ.
O Teatro do Morro tem formado de concha acústica sob o céu aberto. Além da iluminação artificial, o palco conta com as luzes das estrelas e torna-se um local perfeito para apreciar as noites estreladas de Morro de São Paulo. Dispõe de quatro ambientes dentre os quais o público pode escolher se prefere o espaço gastronômico e alternativo feito para relaxar junto a fogueira e provar um churrasco ou se divertir na pista de dança.
Artesanato
Uma das formas de manifestação artística, o artesanato reflete a identidade cultural do local. Em Morro de São Paulo o espaço referencial para o artesanato é a Feira de Artesanato que acontece todas as noites na Praça Aureliano Lima, na Vila. Todo o artesanato confeccionado na ilha pode ser conferido na Feira que é organizada pela Associação dos Artesãos e Artistas Moradores de Morro de São Paulo (Amosp). De acordo com a presidente da Amosp, Silvanisia Santos, a Feira de Artesanato já existia na ocasião em que a entidade foi fundada há 12 anos. A Feira reúne diversos trabalhos artesanais como artigos do vestuário masculino, feminino e infantil, ítens de decoração, acessórios femininos, bijouterias peças em prata e trabalhos de madeira como os barcos do “Seu Pirata”. A matéria prima para a confecção dos artigos vem de materiais como o côco, palha de bananeira, piaçava, além de retalhos e fitas. Até a poesia ganha lugar com os cartões poéticos da artista Ângela Toledo.
Ao anoitecer as barracas começam a ser montadas e atraem os olhares dos turistas com suas luzes que se misturam as dos restaurantes e pousadas que ficam ao redor. A Praça se enche de arte e cores. Um passeio na Vila à noite pela Feirinha é uma dica imperdível, para conhecer o artesanato e levar uma lembrança de Morro de São Paulo.
Cultura em Cairu
Cairu, a sede administrativa do arquipélago, possui manifestações que retratam o folclore, resgata a cultura dos antepassados e retrata a história da colonização da cidade e do Brasil. Os Congos e os Zambiapunga são os exemplos mais fortes destas manifestações e ainda permanecem vivas dentro da comunidade. Dentre as associações culturais que desenvolvem as manifestações folclóricas de Cairu está a Sociedade Beneficente Amigos de Cairu (SBAC) fundada em 1985 e entre outras atividades trabalha com um Núcleo de Apoio a Cultura e tem à frente a senhora Antonia Francelina de Jesus Filha, conhecida popularmente como Tia Nininha. Os trabalhos são voltados à crianças e adolescentes com o objetivo de fortalecer e desenvolver a auto-estima.
Zambiapunga
Herança dos escravos africanos e o nome é em homenagem ao Deus do Candomblé (Zamiapomgo). A partir de 1960 quando iniciaram as comemorações em louvor a Igreja da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade, além dos festejos religiosos foram incorporados apresentações dos Zambiapungas nas novenas e pela ruas de Cairu. Geralmente estas apresentações acontecem no segundo domingo de outubro (dia da festa do Rosário). O grupo é formado por homens e mulheres de todas as faixas etárias. Faz parte do figurino o “dominó”(macacão folgado estampado em diversas cores ) e o capacete colorido em formato angular. Eles utilizam como instrumento musical uma enxada e a cavilha (prego grande). Antigamente os ensaios dirigidos pelo Velho Manduba eram realizados todos os dias à noite atrás do muro do Convento Santo Antônio. Hoje em dia os ensaios acontecem apenas em outubro, no período que antecede a homenagem à padroeira. O cortejo inicia a partir da matriz percorrendo as principais ruas de Cairu. No dia da festa o Zambiapunga se reúne a partir das 4 horas da madrugada com o som da “alvorada” (foguetes e 21 bombas são largadas) e a partir das 5 horas saem às ruas anunciando o início dos festejos da Igreja. O colorido dos figurinos e os cantos atraem o público e tem a participação de toda a comunidade.
Na segunda-feira após a festa, a chamada a “segunda-feira do Rosário” o grupo sai novamente pelas ruas da cidade para o “casamento dos caretas”. Na ocasião os integrantes se fantasiam de noivo, noiva, juiz, testemunhas e padre para celebrar uma cerimônia de casamento. No final acompanhados por uma banda de sopro, todos tiram a máscara e inicia a batalha de talco, quando tudo vira uma verdadeira brincadeira e termina somente quando os participantes se cansam.
Congos
Também como herança do povo africano existem os Congos. Composto por um grupo que varia entre 12 a 24 integrantes o figurino consiste em camisa e calça branca, saia rodada à altura dos joelhos formando um saiote de chita colorida. Na cabeça usam uma coroa enfeitada por lantejoulas e tem como instrumento o “ganzá”, feito de bambu. O ritmo é comandado pelo chefe dos Congos, que se posiciona no centro do grupo com um tamborim. Em Cairu os Congos saem às ruas durante o cortejo de São Benedito, entre 08 de dezembro a 06 de janeiro.

Informações
Compilamos uma grande variedade de infomações para quem pretende visitar Morro de São Paulo: Veja como chegar, tanto de avião, catamarã ou para quem está de carro. As praias e os passeios para conhecer as ilhas de Tinharé, Boipeba e Cairu. Informações úteis sobre dinheiro, câmbio, comunicações e transportes. Precauções e dicas de saúde e segurança. O clima e as melhores épocas para visitar o arquipélago, bem como informações sobre a maré e tábua de marés. Dicas de gastronomia local. Os ecossistemas da ilha, flora e fauna de importância econômica. As embarcações típicas e algumas outras que você verá por aqui. E um apanhado da cultura local.
PRAIAS
Primeira Praia de Morro de São Paulo
É a mais próxima da vila e a melhor para nadar. É boa para o mergulho e a única praia de Morro de São Paulo propícia ao surf. Tem 300 metros de extensão.
Servem iguarias locais em algumas barracas de praia, como a do seu Cacá, que segundo ele mesmo, há mais de 70 anos nada três vezes por semana até Itaparica.
Esta também é a praia de ocupação mais antiga de Morro de São Paulo, abrigando as primeiras casas de veranistas da ilha.
Segunda Praia
É a mais agitada de Morro de São Paulo. De dia, muitos guarda-sóis, espreguiçadeiras, futebol, vôlei, frescobol. À noite, o lugar das festas que só costumam acabar depois do sol nascer. Tem 400 metros de extensão. No final da praia fica a Ilha da Saudade, um dos cartões-postais de Morro de São Paulo.
Terceira Praia
Tem muitas pousadas, alguns bares e restaurantes. É de onde saem os passeios de lancha para as ilhas vizinhas.
Em frente à praia, fica o arrecife do Caitá, uma ilhota de pedra, com um pouco de areia que abriga um único coqueiro. A praia tem cerca de 800 metros de extensão e fica a 10 minutos da vila de Morro de São Paulo.
Quarta Praia
Tem piscinas naturais na totalidade dos seus quatro quilômetros de extensão, normalmente com pequena profundidade. Tem algum movimento somente no seu início, próximo à Terceira Praia. O restante é uma das praias mais calma de Morro de São Paulo.
Concentra os hotéis com maiores áreas de lazer e os resorts. O final dela é conhecido como Praia do Encanto.
Praia do Encanto
Separada da Quarta Praia por um pequeno manguezal que pode ser atravessado sem dificuldades na maré baixa, tem dois quilômetros de praia praticamente deserta. Tem piscinas naturais mais profundas, boas na maré baixa.
É a praia mais bem preservada de Morro de São Paulo, mais tranqüila, e o lugar ideal para quem busca paz e contato com a natureza.
Garapuá
Uma praia belíssima, isolada entre manguezais, e quase deserta. Tem apenas um pequeno vilarejo de pescadores e alguns restaurantes nos seus quase dois quilômetros de praia com águas profundas e quentes. De todas as praias de Morro de São Paulo, é a única sem corais, somente fundo de areia.
A melhor maneira de visitá-la é fazer um passeio por uma trilha na Mata Atlântica.
Pratigi ou Praia do Pontal
É a maior praia da ilha de Tinharé, com 10 quilômetros, e também a mais isolada. É completamente deserta, e dificil de chegar até de barco.
A melhor forma de conhecê-la é fazer uma expedição de três dias, com caminhadas pelas praias mais selvagens do arquipélago.
Não confunda: há OUTRA praia com o mesmo nome, mais próxima a Barra Grande, onde acontece um evento chamado "Universo Paralelo". Essa festa NÃO é em Morro de São Paulo.
Gamboa
Está situada do lado noroeste da ilha, voltada para o continente. Além da encosta de argila, famosa para o tratamento da pele, tem um povoado, onde mora grande parte da população da ilha.
A melhor forma de conhecer a praia da Gamboa, é através de um passeio que parte da vila de Morro de São Paulo a pé e volta de barco, ou então saindo de barco, da Terceira Praia, visitando também a Ponta do Curral.

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